sexta-feira, 1 de junho de 2012

Quero-te?


Para mim estás aqui, a meu lado, junto de mim sem que te apercebas disso; insistes em ficar na ponta do sofá, quando na realidade todo o teu ser se vê aqui comigo: aqui.

Quando te rendes, porque é assim que faz sentido – porque sim -, ficas tu mesmas, és-te (me) perfeita e ficamos ali, sossegados a olhar o infinito (apesar de ser a parede branca) como se estivéssemos a ver uma longa-metragem: a nossa!
Esta seria a versão low profile, seria: não é!

Quero-te?

Sim, quero, quero mesmo. Quero-te de um modo selvagem, sôfrego – como senão existisse o dia de amanhã, como se nunca mais nos fossemos ver -, tomar-te nos meus braços, tocar-te incessantemente, tocar os meus lábios nos teus, sentir a tua respiração e os batimentos cardíacos alterados e sentir-me vivo.

Quero, com os meus dedos, percorrer cada milímetro do teu cabelo como se estivesse a 240 km/h numa auto-estrada só meu, só nosso – deixa-te de coisas e cede: cede, ouviste?

Puxar-te, tocando-te no rabo (que rabo), para junto de mim, para te (me) sentir mais nós, para vivermos a fantasia de sermos apenas um: quero-te, ouviste?

Quero-te em todas as dimensões, sabendo que não consegues, não tens coragem, de me querer.

Tens coragem?

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Tu e as Outras


Gemes incessantemente enquanto te preencho o ser; faço-o sem limites, no limiar da dor, ao mesmo tempo que te vocifero promessas de amor futuro – é tudo conversa sexual, é tudo calor do momento.

Quanto mais te tateio, mais te dás, mais queres que o (te) faça: porque és assim, porque me queres sugar?

As estocadas que te dou, por vingança do amor que juras ter por mim, são com e por brutalidade; sabes, preciso vingar-me do teu amor, necessito sentir que és mais uma, que és um rosto na multidão: és um objeto, o meu.

Puxo-te para mim, uma vez mais, e lambo-te a orelha, tu sentas-te em mim e gemes com um prazer desmedido – soa-me a falso, sim, soa – que faz com que não te veja, só te consuma.

És a minha dose de hoje, és um bocado de carne, és.

O culminar, a cereja no topo do bolo é só um, é quando te vais embora, quando desapareces da minha cama.

Preciso de mais uma dose, preciso de.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Over (LOVE) d


Contagias-me com essa coisa que resolveste chamar amor – Amor, tens a certeza? – a mim parece-me “falta de ar” - Preciso de O2.

Os dardos atirados ao alvo (eu) estão empilhados num vazio, parece que estou, de propósito, a mexer no alvo e jamais me renda: sabes que te gosto – eu gosto-te! –, que me rendi, mas numa fluidez e frequência mais calma, ao mesmo tempo pejada de uma tormenta que move montanhas e delineia rios, e mais rios, de emoções.

Com essa mania de amazona, de quereres conquistar tudo, ainda acabas por ser conquistada por ti mesma: vais ficar aprisionada numa corrente, de um rio qualquer, que vai levar-te a um mar, a uma terra – que não a minha – que pensarás ser a tua (nossa), mas que afinal será alheia.

Nem sempre as tormentas, as enxurradas fazem estragos: sim, é verdade; no entanto, e sem que nos apercebamos, grande parte das vezes o estrago pode jazer ao nosso lado sem que nos apercebamos, sem que tenhamos inspirado, expirado e tido a noção que o amor é como o oxigénio (O2), precisamos dele mas em doses certas.

“Too much, is too much”.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Vícios


Acordar, olhar para o lado e não estares ali – algum dia estiveste? – sabe a vazio; é isso, não te sinto: sinto?

Entre a preguiça, a tesão matinal – que não me sacias – e a vontade de um nada (tudo) permito impactar-me com uma dose extra de energia; desço degrau a degrau, a longa escadaria, e chego à porta que dá para o jardim, e.

Vens?– pergunto-te

Ficas ali, a abanar a perna direita, a desafiares-me, a digladiares-te na dúvida, que é a certeza, que me queres: tu queres-me, deixa-te de tretas!

Mergulho no imenso azul da piscina, com vista para a enseada, e percorro o nosso céu marítimo - só nosso - e chego ao outro lado, saio enquanto me olhas como se eu fosse a tua presa.

As gotas que me escorrem pelos diversos milímetros do corpo, o toque do sol que teima em fazer-se (nos) sentir projeta-me em ti; sou aquele que tu queres e jamais poderás deixar de querer, sabes, eu também te quero: quero!

Cada passo firme que dás na minha direção, impelida por uma força que não consegues controlar, é – e tu sabes bem – um passo para a tua (nossa) validação: somos (nos)!

Deixas cair o único pedaço de tecido que te ofuscava de mim e ofereceste; dás-te a mim, ali, sem pudor e tateamo-nos um no outro como se fosse a primeira vez: não, não é.

Uma primeira vez jamais poderia ter a perfeição que somos e a paixão, tesão e amor que bujardamos (nos) é e será, sempre, impossível de copiar ou aniquilar.

Gemes-te (me)!

terça-feira, 8 de maio de 2012

Cruzamentos


Raios! Ainda é noite e os delírios fazem-me ter pensamentos transversos: será a lua? – cá para mim sou “aluado”.

Estou parado há cinco minutos neste sinal de trânsito – que permanece a vermelho – e sinto rasgos de alucinações intermitentes: quero avançar, já! – o sinal fica imóvel, sem sequer ter em conta a minha vontade: normal.

Parar, direita, esquerda ou ir em frente? Prosseguir deve ser a solução, mas o caraças do sinal ainda está a desafiar-me: raios!

Prego a fundo, sem dó, sigo e kabummmmm!

“Acidente brutal com entre um ligeiro e um camião que transportava combustível. Sem sobreviventes” – alguém ouvia, algures.

O desconhecido tem destas coisas, provoca choques, muitas vezes em cadeia, que jamais têm volta; não nos permite voltar atrás e ainda bem que assim é.

- Estou acordado?


sexta-feira, 4 de maio de 2012

Noites Turbulentas


Esta noite transladei-te: sim, fi-lo; passei-te do sitio que sabes para outro qualquer, um que já não sei onde fica e que não sei se vou voltar a ter noção do local – nem com GPS.

Acordei sobressaltado na névoa do pensamento: os pensamentos a meio da noite tendem a vir com uma bruma sui generis que nos (me) deixam atónitos – pelo menos a mim deixou -, sem reação e muito menos o que fazer – o que fazer?

O tormento de ser, de não ser, desejar que fosse, que perdurasse e que desaparecesse, tudo ao mesmo tempo, faz com que a parca noção da realidade se esvaia, que perca todo o sangue, que o vejo a ir-se pelo ralo da vida rumo a parte incerta.

Agora sim: acordei!

Despertei ensopado no suor das entranhas; a expurga dos demónios que assolaram o meu sono e me fizeram temer o pior; o mal, o pior, por mais que o possa ser permite-nos sempre antever uma saída, uma entrada para outros mundos: sempre!

Agora sim: durmo!

Vou descansar e deixar-me envolver num sono reparador; sim, é que amanhã vai ser outro dia, amanhã vou ser Ser – sem dúvidas.